Uma balela ambiental
Começou nessa terça, 11 de novembro, a maior balela ambiental do Estado, a XIX Feira do Verde. O evento é realizado todo ano pela Prefeitura de Vitória com o objetivo de discutir questões relacionadas ao meio ambiente. O mais engraçado, porém, é que a feira é bancada pelas grandes empresas poluidoras do estado, como Arcelor Mittal e Vale que têm seus fabulosos estandes montadinhos lá, para posarem de boas moças virgens socialmente sustentáveis.
É pra rir ou pra chorar ?
Como se não bastasse isso, o tema da Feira do Verde desse ano é: “Mudanças Climáticas: somos todos responsáveis”. Isto é, as grandes empresas poluem o ar, os rios, e os mares, e destroem florestas para dar espaço à monocultura. Os governos, por sua vez, não conseguem promover um meio de transporte coletivo eficiente a fim de reduzir o número de automóveis e nem uma fiscalização ambiental efetiva. E como resposta a isso tudo, promovem um evento para dizer que nós somos todos responsáveis. É pra rir ou pra chorar ?
Farsa do verde
Com o propósito de desmistificar a grande balela que é esse evento e denunciar os crimes ambientais promovidos pelas empresas, a Brigada Indígena, com apoio de estudantes do ensino médio e da universidade, promovem há quatro anos uma série de protestos durante a programação da feira. Essas manifestações são conhecidas como Farsa do Verde – apelido dado pelos manifestantes à feira- e são sempre regradas com musicas irônicas, panfletagem e até manifestações teatrais, como a dramatização do tribunal popular que julgou a Aracruz Celulose, durante a feira do ano passado.
Na abertura desse ano, pude acompanhar os protestos. A ação começou com a panfletagem feita pelos manifestantes vestidos de eucaliptos, seguida pela distribuição de máscaras para que as pessoas pudessem se proteger do ar impregnado de minério da cidade de Vitória. O mais curioso veio depois. Devido à mobilização, o prefeito João Coser não fez a abertura da feira, como estava programado no site do evento. O que me faz levantar uma questão. Está com medo de quê João?
A novidade da XIX Farsa do Verde ficou por conta do Lado B. Um espaço cedido pela prefeitura, após pressões da sociedade e dos movimentos de protesto, à ONG’s ambientalistas. O ambiente representa uma oportunidade de alertar a população sobre a verdadeira postura das grandes corporações poluidoras em relação ao meio ambiente.
Censura
Para os que acreditaram na boa intenção da prefeitura ao ceder o espaço para o lado B, vem aí um noticia esclarecedora. Um caso de censura por parta da Secretaria de Comunicação da Prefeitura.
O que aconteceu foi o seguinte. Os alunos de escola pública que participam do Centro de Referência da Juventude (CRJ) ficaram responsáveis pela produção de matérias durante a feira. O conteúdo resultante dessa atividade seria postado em um blog vinculado ao evento. Foi então que os estudantes fizeram uma entrevista com Daniela Meireles do grupo FASE-ES, em que a entrevistada fez críticas pontuais em relação à postura da prefeitura diante da contradição de fazer uma feira ambiental que promove o marketing dos grandes poluidores do Estado. O vídeo com a entrevista chegou a ser postado no Blog, mas em pouco tempo foi retirado ( entenda-se Censurado) por ordens da Secretaria de Comunicação da Prefeitura.
O vídeo censurado pode ser visto em http://www.youtube.com/watch?v=MXt6WaAYp6U , ou na janela aqui em baixo.
Texto: Izaias Buson

3 comentários:
"para posarem de boas moças virgens socialmente sustentáveis".
Adorei isso!
Izaias está com toda razão.
ah, mas até que a feira é bonitinha.
Como disse Daniela Meireles, essa feira é uma grande maquiagem ambiental!
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