domingo, 12 de outubro de 2008

O improvável aconteceu


O improvável aconteceu. Teodorico de Assis Ferraço perdeu uma eleição em Cachoeiro. A diferença entre o candidato eleito Carlos Casteglione( PT) e Ferraço(DEM) foi de 7339 votos. Uma vitória apertada, mas deliciosa, já que o Coroné chegou a ter 64% das intenções de votos e mais de 40 pontos de vantagem em relação ao petista.

Ferraço, inconformado, culpou até a Igreja por sua derrota. Para ele, os padres teriam feito campanha para o adversário. A arrecadação da campanha petista também foi alvo do coroné. “Houve uma revolução financeira na campanha dele nunca vista em toda história”, afirma. Ferraço assegura ainda que vereadores de sua coligação foram aliciados pela base aliada de Casteglion, para desistirem da campanha ou apoiarem o petista. kkkk

Falando sério agora...

A colunista de A Gazeta, Andréia Lopes, listou alguns tópicos que, segundo ela, representam os pecados que o Deputado Ferraço cometeu nessa eleição. Vou expor aqui os que achei mais relevantes nesse processo.

O primeiro deles foi estratégia de campanha, já que o coroné, motivado por um clima de “já ganhei”, não se empenhou o necessário na sua eleição. Para se ter uma idéia, no início da campanha, não houve investimentos relevantes em material de divulgação e nem na contratação de cabos eleitorais.

O segundo fator diz respeito à plataforma de campanha. O candidato se voltou para o passado e buscou relembrar as obras da Avenida Beira-Rio, dos trilhos do trem que ele tirou do Centro, da passagem de veículos na Ponte de Ferro, se dizendo “iluminado” por ter feito tudo isso. Suas propostas se limitavam a construção do Instituto dos Olhos e a abertura do famoso hospital no Aquidabam, o “elefante Branco”. Seu despreparo era evidente. Tanto é que no último debate da TV Gazeta declarou que não tinha sequer plano de governo.

Os ataques feitos pelo Valadão (PMDB) entram como o terceiro fator. O prefeito, recordista em rejeição, se colocou como kamikaze e resolveu explodir a candidatura de Ferraço (rixas de coronéis). Como o Deputado tem um baita telhado de vidro, não foi difícil o expor seus “podres”. Bastou só lembrar que as obras de Ferraço não param em pé, resgatar na memória do eleitorado o mico da "torre de fazer chover", do ginásio "Ferração" que está condenado no bairro Aeroporto e do hospital do Aquidaban, apelidado pelo deputado federal Camilo Cola (PMDB) de "elefante branco".

Pode-se apontar como quinto tópico a coligação feitapor Carlos Casteglione, que conseguiu reunir o apoio dos evangélicos - ao indicar como vice o Pastor Braz (PR), (do partido do senador e pagodeiro gospel Magno Malta) - e dos Católicos, com os quais tem uma ligação histórica. Isso rendeu lhe os valiosos votos dos fieis.

Por último, mas não menos importante ( pelo contrário, acredito que é o fator primordial) o desejo de mudança dos cachoeirenses. A cidade não agüentava mais essa administração oligárquica, em que caciques políticos ficavam revezando o poder enquando cachoeiro ia para o buraco. Só para se ter uma idéia, será a primeira vez que não verei minha cidade governada pela tríade coronelesca (a saber, Ferraço, Valadão e Zé Tasso). Carlos casteglione surge como o novo elemento capaz de mudar os rumos de cachoiero. É isso que se espera dele. Mesmo sabendo que o petista terá uma “herança maldita”, oriunda das antigas administrações, é isso que espero dele.



**** o Famoso Elefante Branco é uma edificação imponente inaugurada no fim da última gestão de Ferraço para funcionar como Hospital Infantil. O Prédio, porém, já apresenta algumas rachaduras e nunca funcionou como hospital para crianças. É hoje sede da Superintendência Regional de Saúde.


Texto: izaias Buson

Imagem: Val

1 comentários:

daniela disse...

oi,
é, os cachoeirenses já estavam desacreditados, achando muito pouco provável a mudança.
e agora depois de apostarem suas fichas no novo, vamos ver se realmente a mudança virá.

gostei daqui ;)