
Raposa Serra do Sol II
A questão de raposa Serra do Sol é um dos grandes pepinos que está nas mãos do Supremo. Soma-se a esse, a questão do aborto de fetos anencefalos, sem falar no suposto grampo da ABIN. Mas isso já é assunto pra outro texto. Bom, voltando. O conflito na reserva é complexo e envolve vários grupos. Para facilitar a análise, vamos trabalhar com argumentos ligados aos interesses de quem é a favor e de quem é contrario à demarcação contínua.
De um lado temos os rizicultores, os pecuaristas e o restante da população não-índia da região. Apoiados por parte minoritária dos indígenas - reunidos na Sociedade de Defesa dos Indígenas Unidos do Norte de Roraima (Sodiur) - e pelo governo de Roraima. Este grupo, evidentemente, é contra a demarcação contínua. Para eles, com essa delimitação da reserva - que representa um pouco mais de 7% do território - a área ocupada pelos índios no Estado subiria para mais de 40 %. Isso, segundo tal grupo, prejudicaria a economia de Roraima e atrasaria o desenvolvimento do Estado. Outro argumento afirma que a reserva ameaça a soberania nacional pelo fato de estar localizada em uma região de fronteira com a Venezuela e com a Guiana. Isso porque, os índios não ocupam de forma homogênea o território demarcado, o que, para os rizicultores, deixaria essa área vulnerável a infiltrações (essa também é a opinião dos militares).
Do outro lado encontramos a maior parte dos indígenas, representados principalmente pelo Conselho Indígena de Roraima, além de entidades da sociedade civil ligadas à defesa da causa nativa ou social. Entre elas, a ONG Instituto Socioambiental, Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O argumento desse grupo é baseado na constituição federal de 1988 que assegura aos índios "os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens". A constituição reconhece também "aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições." Em relação à suposta ameaça à soberania, os defensores da demarcação contínua defendem que tal perigo não se justifica, já que os vazios demográficos da Raposa Serra do Sol não são tão grandes. Além disso, a atuação do Exército dentro das reservas é livre, portanto, não haveria motivo para essa preocupação.
O supremo tem agora uma importante decisão para tomar. O que está em jogo não é apenas a legitimidade da demarcação contínua da Raposa Serra do Sol, é também, como já disse ministro Carlos Ayres Britto, um parâmetro para os processos demarcatórios no Brasil.
Texto: izaias Buson

4 comentários:
izaias, orgulho de você ^^
apesar de você ter rasgado a nota do anime fest pro clipping ¬¬
Continuo achando sem sentido uma demarcação fragmentada. Mas muito boa a iniciativa de esclarecer os argumentos dos dois lados!
O Estado tem de dar aos índios o que é dos índios por direito. Demarcação é eufemismo para propriedade: havia o índio; chegou o "branco"; daí o "branco" apropriou-se de tudo - até mesmo do próprio índio. Agora, sendo o país comandado por um governo que prega a igualdade, é chegada a hora de cada macaquinho ir pro seu galho.
Mais uma vez, excelente postagem.
Ótimo tema!
O verdadeiro dono dessas terras é o povo brasileiro, sem dúvida. Mas me refiro ao verdadeiro, ao autêntico povo brasileiro, de pele vermelha, que habita nosso território desde tempos incontáveis... e não a alguns que chegaram depois, que insistem em invadir a terra alheia até que não sobre mais nada.
Existem muitos interesses escusos atrás desse discurso de ameaça à soberania... esse tema ainda vai lhe render grandes abordagens, Izáias!
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