sábado, 2 de janeiro de 2010

Testando flickriver

Reunião das fotos feitas com a câmera analógica Zenit DF-300

Izaias Buson - View my 'zenit' photos on Flickriver

domingo, 2 de agosto de 2009

Cajado Mágico

É muito comum vermos a mass media como um grande conglomerado que rege o mundo segundo suas vontades, manipulando constantemente a população e fazendo-a pensar de acordo com seus interesses. Como se a mídia fosse um pastor que tangesse a massa com um cajado mágico conhecido, também, por veículos de comunicação. Essa é, sem dúvida, uma idéia ingênua, para não dizer limitada, sobre a complexa relação dos meios de comunicação de massa e o público.

Primeiramente é importante desmistificar esse poder mágico da mídia de impor pensamentos. Para tal, faremos uma rápida análise sobre o processo comunicativo da Tv. Tal esquema ocorre, basicamente, da seguinte forma: as estruturas institucionais com sua composição técnica e com suas redes de produção constroem uma mensagem. Essa mensagem é produzida, porém, dentro de um referencial de sentidos e idéias que estão relacionadas com as composições sociais, políticas e culturas, por exemplo. Nesse ponto, a produção e a recepção estão interligadas e se influenciam na formação da mensagem. Inclui-se, ainda, no processoprópria linguagem da TV. Logo, para que a televisão consiga transmitir uma mensagem eficiente que atinja o público, é necessário que ela dialogue com as questões que permeiam o imaginário social. Ainda sim, é de grande importância que haja uma adequação da linguagem ao publico ao qual se dirige à programação.

Um claro exemplo disso foi a reeleição do presidente Lula em 2006. O petista tinha a grande mídia fazendo forte campanha contra sua reeleição, mesmo assim, Lula conseguiu ganhar o pleito com uma boa vantagem. Isso só ocorreu porque os meios de comunicação não conseguiram atingir a forte imagem positiva que povoava o imaginário social. Principalmente, o imaginário das populações que eram beneficiadas pelos programas sociais do governo, ou seja, um público que possuía a experiência prática do discurso social do Lula.

É difícil falar, portanto, que a mídia tem o poder de manipular as pessoas. Ela ,na verdade, não cria demandas artificiais e tenta nos convencer, e sim trabalha em cima de demandas criadas pelo público para conseguir transmitir a mensagem.

É notório, entretanto, que toda comunicação é intencional e busca persuadir seu interlocutor. Pensar nos meios de comunicação como uma estrutura que apenas repete nossas demandas é uma grande inocência. Mas, então, de que forma a mídia consegue nos influenciar? Simples, ou nem tanto, ela trabalha em cima de idéias/padrões/formas que estejam no senso comum (para não haver rejeição da mensagem ) para nos convencer. Porém, mesmo agindo sob o nosso imaginário, esse processo ocorre dentro de um limite de idéia hegemônica. Isso é, a mensagem deve ter um discurso significativo apropriado.

Texto feito para a disciplina de Teoria da Comunicação
IZAIAS BUSON

domingo, 22 de março de 2009

Como todo dia mundial...


Hoje é o dia mundial da água, e como dia mundial de qualquer coisa dá uma boa pauta, vários portais da internet produziram matérias ligadas ao tema. O UOL, por exemplo, traz dados sobre o desperdício doméstico: “uma torneira pingando pode gerar o desperdício de até 46 litros de água em um único dia” e “Lavar o carro com o esguicho pode resultar em uma perda de aproximadamente 380 litros de água”. Não há dúvida que informações como essas são importantes e que o desperdício deve ser evitado, mas também devemos fazer questionamentos mais profundos sobre o tema, como por exemplo, a poluição da água pelo esgoto doméstico e por resíduos industriais.


Para se ter uma idéia, acompanhei ontem a reportagem multimídia “Crônica de uma catástrofe ambiental”, feita por André Deak e por Paulo Fehlauer, sobre a tragédia ambiental no rio Pirapetinga, afluente do Paraíba do Sul. O rio foi contaminado com o pesticida endosulfan, resíduo altamente tóxico que vazou do dique da empresa Servatis. Cerca de 8 mil litros do produto atingiram o Pirapetinga e aproximadamente 100 toneladas de peixes foram mortos em período de desova. Não há um dado exato do impacto sobre a população local, mas já se pode adiantar que o produto é muito nocivo à saúde e, inclusive, banido em diversos países.


Esse caso me remete a alguns questionamentos : qual o preço que pagamos por essa coisa chamada “progresso”? Até quando envenenaremos as águas, consumiremos os recursos naturais e poluiremos o ar para sustentar esse modelo de desenvolvimento ?


Por fim, quero deixar a dica do vídeo A história dos Materiais. Vale apena conferir, é bem interessante.




Texto e imagem: izaias buson





terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Duas coisas que me deixaram intrigado ontem e merecem umas linhas de reflexão.


Primeiro, me senti mal informado...


O Jornal Nacional noticiou que vândalos, foi essa mesma a palavra empregada para clássificar os manifestantes, estavam promovendo baderna na favela Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo. O motivo seria a morte de um morador da região por Policiais durante uma operação no domingo. Segundo a PM, se tratava de um ladrão de carros que resistiu a prisão. O intrigante é que nunca vi uma nota oficial da polícia falando que matou inocente ao invadir uma favela. Eles só matam "bandidos", os quais sempre oferecem resistência. Curioso né !? E se realmente foi essa a circunstancia da morte do suposto bandido, por que moradores da região fariam esse grandioso protesto? Será que essa versão das PM esclarece todo o caso, ou poderá haver algum outro fato que explique toda essa manifestação? A reportagem do Jornal não reponde essas dúvidas e não se preocupou em mostrar a versão dos manifestantes, já que durante a reportagem nenhum morador foi ouvido. A versão apresenta pelo JN fica sendo somente a da PM.


... depois, me senti, mais uma vez, um idiota diante dos acontecimentos do Congresso


O PMDB conseguiu a presidência das duas casas do Congresso Nacional. No Senado, uma das coisas mais toscas( seria esse o melhor termo? ... enfim) da nossa historia política, José Sarney, assume a presidência. Sim o Sarney, como resumiu bem Marcelo Tas em seu blog ... “Ele está no poder há exatos 54 anos. Deu ao Brasil a maior taxa de inflação do mundo. Voraz como uma cobra caninana, repartiu com a escória política verde-amarela o maior lote de canais de rádio e TV da história. Matreiramente, montou um império de comunicação no Maranhão, onde atingiu status de semi-deus imortal (lá, até sua tumba já foi construída com dinheiro público!). Com a morte de Tancredo, chegou à Presidência da República. Depois, diante de queda moral vertiginosa, teve a cara-de-pau de criar domicílio falso no Amapá para poder continuar aboletado no carguinho de senador em Brasília.”

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Entrevista com Maria Helena de Almeida, marqueteira da campanha vitoriosa de Carlos Casteglione do PT


Eleições 2008


A última eleição para prefeito em Cachoeiro de Itapemirim está, para mim, entre os acontecimentos mais surpreendentes deste ano, já que as figuras que sempre dominaram o poder político na cidade (entenda-se aqui Ferraço, Valadão e Zé Tasso - que apoiou Ferraço-) perderam o pleito para uma nova força política, o petista Carlos Casteglione.

Vislumbrado por esse processo e tendo que fazer uma entrevista para a disciplina de Teorias e Práticas jornalísticas, usei como pauta tais eleições. A minha entrevistada foi a professora, jornalista e marqueteira política, Maria Helena de Almeida, responsável pela área de marketing da campanha do petista em Cachoeiro.

Maria Helena fala, metaforicamente, como o poder de Ferraço se constituiu na cidade e de que forma candidato do PT se apresentava no início e no final do processo. Ela avalia, ainda, o papel do marqueteiro político na campanha e as estratégias desenvolvidas para vencer esse pleito.




Entrevista


Contexto – Maria Helena, você conhecia a estrutura política de Cachoeiro antes de chegar à cidade para fazer a campanha de Carlos Casteglione?


Maria Helena (MH)- Em detalhes não. Eu conheço as forças políticas do Estado, as do sul e as do norte. Até porque como eu trabalhava na equipe de Jane Merie e ela já fazia a campanha de Ferraço, eu já o conhecia. Mas quando se está em uma equipe, não se tem a mesma oportunidade de conhecer o panorama político da mesma forma de quando se está na liderança de uma situação.


Contexto – E quando você chegou a Cachoeiro, qual foi a situação política que encontrou lá ?


MH- Em encontrei um cenário completamente dominado pelo “ferracismo”. Observávamos pelos grupos de pesquisa que ele [Ferraço] era um mito, um coronel no sentido de exercer sobre a coletividade um domínio. Isso vinha se perpetuando por mais de 30 anos e ele era a liderança local do sul do Estado.


Contexto – A partir desse panorama, qual foi a estratégia pensada para a campanha do petista ?


MH- A primeira coisa que em senti foi perplexidade, porque Casglione é um sujeito pequenininho, dócil e meigo que vem das comunidades eclesiásticas de base. E Ferraço é o coronel bravo que, entre aspas, põe a mão da espada para defender o território dele, maios ou menos um feudo ferracista. Para equiparar os dois, eu precisava empoderar Castaglione e , simbolicamente, dá a ele uma peixeira para o enfrentamento. Mas eu não poderia dar uma peixeira sem antes mostrar que ele era capaz de ficar com a peixeira na mão.


Contexto – Qual foi o maior desafio da campanha de Casteglione ?


MH- Pela via da lógica e da razão eu ainda não tenho todas as explicações, esse é um processo que tenho que analisar muito ainda. Mas uma grande dificuldade era tirar do imaginário popular a força de Ferraço. E eu comi isso um pouco todos os dias nos programas de TV...


Contexto – Mas você queria tirar a força de Ferraço ou dar força para Casteglione?


MH- Tirar de um e dá para o outro. A História me ensina que nenhuma ditadura dura para sempre, e a relação de Ferraço em Cachoeiro já estava um pouco desgastada. Então eu começava dizendo nas propagandas que nós íamos encerar um ciclo histórico, e que tinha aparecido naquele cenário um sujeito maduro capaz de levar os destinos políticos daqui pra frente. A primeira pessoa que tinha que acreditar nisso era o próprio Casteclione, tanto é que ele começa a campanha de um jeito e termina de outro. Ele foi amadurecendo no processo, a população amadureceu, e Casteclione mais ainda. Ele aceita essa interferência e no final do processo ele coloca simbolicamente a peixeira na mão, quando em um debate acusa Ferraço de mandar verba para Itapemirim ao invés de mandar para Cachoeiro.


Contexto - Qual foi o papel do Marketing Político na campanha ?


MH – O marketing não cria produto. Ela potencializa o que ele tem de bom. Isso se dá na ordem do objeto, mas se dá também na ordem do político. Não se pode criar uma liderança se ela não se sustentar. E Casteglione se construiu na militância do PT é amigo do Presidente Lula, é muito respeitado entre os ministros, ele tinha base para se firmar.


Contexto - Você acha que a imagem do Lula ajudou na eleição de Casteglione.


MH – Muito, o Lula vem de um momento histórico de 80 % de aprovação. No último momento da campanha eu colei a imagem do Casteglione a do Lula.


Contexto – Qual é sua avaliação geral da campanha?


Eu concluo que não existe campanha de um gênio só. Ela precisa de vários profissionais bons em áreas diversas, é o conjunto que faz a campanha vitoriosa, e o momento histórico. Se não houvesse em Cachoeiro um grupo de bravos guerreiros trabalhando em favor de Casteclione não teria sido possível.


Contexto - Então o Marketing por si só não define a campanha ?


O marketing pode muito, mas não pode tudo. A campanha é uma guerrilha e para que uma guerrilha tenha êxito eu preciso de muitos guerrilheiros em trincheiras diversas. Então eu quero contribuir muito para desmistificar essa coisa de que é o marqueteiro ganha a campanha.